Dr José Sales

Prótese de Quadril: Quando a Artroplastia é Indicada

A prótese de quadril pode ser necessária em diversos casos, mas hoje temos várias formas de fazer isso com tratamentos modernos, que devolvem conforto e movimento.

A artroplastia de quadril, conhecida como cirurgia de prótese, é indicada quando há desgaste severo da articulação  geralmente causado por artrose, artrite reumatoide, necrose da cabeça femoral ou fraturas.

O objetivo é substituir as superfícies articulares danificadas por uma prótese biocompatível, restaurando o movimento e eliminando a dor.

Tendinopatia dos glúteos

A causa mais comum de dor lateral no quadril, frequentemente confundida com bursite, especialmente em mulheres acima dos 40 anos.

A tendinopatia dos glúteos — sobretudo dos tendões do glúteo médio e glúteo mínimo — é uma das causas mais frequentes de dor lateral no quadril. Embora muitas pessoas chamem esse quadro de “bursite”, as evidências atuais apontam que o componente principal da chamada síndrome dolorosa do grande trocanter é a degeneração e inflamação dos tendões glúteos.

Como a tendinopatia dos glúteos se desenvolve

Os tendões do glúteo médio e mínimo são fundamentais para manter o quadril estável durante a marcha e o apoio do corpo. Quando existe desequilíbrio entre a demanda e a capacidade de carga do tendão, acontece uma sequência de alterações:

  • Sobrecarga mecânica repetitiva – o tendão é exigido acima do que está preparado, seja por aumento de treino, postura ou padrões de movimento inadequados.
  • Microlesões nas fibras de colágeno – essa sobrecarga provoca pequenos danos estruturais no tecido tendíneo, que se acumulam ao longo do tempo.
  • Inflamação e edema – o organismo reage às microlesões com inflamação local e inchaço, gerando dor e sensibilidade ao toque.
  • Degeneração do tendão (tendinose) – com o processo crônico, o tecido passa a perder qualidade, ficando mais espesso, menos organizado e menos resistente.
  • Dor e perda de força funcional – como consequência, surgem dor para atividades simples (subir escadas, caminhar, deitar sobre o lado afetado) e redução da estabilidade do quadril.

Por isso, essa condição não melhora com repouso prolongado apenas. O tratamento eficaz exige um programa estruturado de exercícios, voltado para fortalecimento e reequilíbrio da função do tendão.

Tratamento da tendinopatia dos glúteos

O tratamento ideal é estruturado com foco em:

  • Fortalecimento progressivo do glúteo médio e mínimo;
  • Exercícios isométricos para controle da dor;
  • Exercícios isotônicos e funcionais em fases posteriores;
  • Correção da biomecânica da marcha;
  • Estabilização do core e da pelve.

Exercícios mal prescritos ou ausência de progressão adequada são causas comuns de recidiva.

1. Fisioterapia orientada (pilar principal)

O tratamento ideal é estruturado com foco em:

  • Fortalecimento progressivo do glúteo médio e mínimo;
  • Exercícios isométricos para controle da dor;
  • Exercícios isotônicos e funcionais em fases posteriores;
  • Correção da biomecânica da marcha;
  • Estabilização do core e da pelve.

Exercícios mal prescritos ou ausência de progressão adequada são causas comuns de recidiva.

2. Modificação de cargas e atividades

Ajustar alguns hábitos e reduzir movimentos que irritam a região lateral do quadril ajuda a controlar a dor e favorece a recuperação dos tendões. Recomenda-se:

  • Reduzir impactos temporariamente – pausar ou diminuir atividades como corrida e saltos até que a dor esteja controlada.
  • Evitar deitar sobre o lado dolorido – essa posição comprime diretamente os tendões e pode agravar o incômodo.
  • Ajustar treinos de corrida – revisar intensidade, volume, inclinações e tipo de terreno, priorizando a progressão gradual.

Evitar cruzar as pernas repetidamente – essa postura aumenta a tensão lateral sobre o quadril e pode perpetuar a dor.

 

3. Medicações

Uso pontual de analgésicos e anti-inflamatórios em fases de dor aguda, sempre com orientação médica.

4. Infiltrações

Podem ser utilizados em casos selecionados para:

  • Reduzir a inflamação;
  • Facilitar o início da fisioterapia;
  • Aliviar a dor persistente.

Não substituem o trabalho de fortalecimento.

5. Cirurgia

A cirurgia é extremamente rara e reservada apenas a rupturas tendíneas importantes que não respondem ao tratamento conservador

Consequências de não tratar

Se não tratada, a tendinopatia pode evoluir para:

  • Dor crônica;
  • Dificuldade de caminhar;
  • Alterações na marcha;
  • Sobrecarga da lombar;
  • Ruptura parcial do tendão;
  • Além de afetar a qualidade de vida.

Como ocorre o diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico:

  1. Anamnese detalhada

Analisa o padrão da dor, relação com atividades e histórico de sobrecarga.

  1. Exame físico

Inclui testes como:

  • Abdução contra resistência;
  • Palpação do trocânter;
  • Teste de Ober;
  • Análise da marcha.

  1. Exames de imagem

  • Ultrassom: identifica espessamento tendíneo e bursite associada.
  • Ressonância magnética: avalia tendinopatia e possíveis rupturas parciais.

Radiografia: exclui causas ósseas.

Dor na lateral do quadril, dificuldade para dormir de lado ou incômodo ao caminhar não devem ser ignorados.